A indústria da pesca oceânica do Rio Grande do Norte recebeu uma notícia considerada decisiva para a recuperação do setor. A exclusão do atum, da lagosta e de outros pescados brasileiros da lista de produtos atingidos pela nova tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos abre caminho para a retomada das exportações ao principal mercado consumidor da produção potiguar.
A expectativa é que as empresas do estado consigam recuperar parte das perdas registradas nos últimos meses, período em que a elevação das tarifas reduziu a competitividade do pescado brasileiro e provocou impactos em toda a cadeia produtiva.
Exportações devem voltar a crescer
Segundo o Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN), a previsão é exportar aproximadamente US$ 30 milhões em pescados para os Estados Unidos ainda em 2026. A meta representa um passo importante para a recuperação da atividade, que enfrentou um dos momentos mais difíceis dos últimos anos.
Para o presidente da entidade, Arimar França Filho, a retirada dos pescados da lista de produtos tarifados devolve confiança ao setor e cria condições para que empresas retomem investimentos e ampliem novamente suas operações.
Crise afetou empresas e trabalhadores
As dificuldades começaram em 2025, quando o governo dos Estados Unidos iniciou a aplicação de tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros. Com o aumento gradual das sobretaxas, o pescado exportado pelo Rio Grande do Norte perdeu espaço no mercado americano, tornando muitas operações inviáveis.
O resultado foi sentido rapidamente. Empresas reduziram o ritmo de produção, contratos de exportação foram interrompidos e parte da frota permaneceu parada por falta de viabilidade econômica.
O impacto também atingiu os trabalhadores. A indústria pesqueira do Rio Grande do Norte mantém cerca de 1.500 empregos diretos, além de milhares de ocupações indiretas ligadas à captura, processamento, transporte e logística.
Atum foi um dos produtos mais prejudicados
Entre os produtos exportados, o atum foi um dos mais afetados pela crise comercial. Grande parte da produção do estado é destinada ao mercado norte-americano, e a ausência de compradores alternativos dificultou a manutenção das atividades.
Além da forte dependência dos Estados Unidos, o setor enfrenta limitações para ampliar as vendas para outros destinos. O mercado europeu ainda possui restrições sanitárias ao pescado brasileiro, enquanto o envio de pescado fresco para países asiáticos envolve custos logísticos mais elevados.
Durante o período mais crítico, aproximadamente 30% das embarcações deixaram de operar, reduzindo significativamente a atividade pesqueira.
Busca por novos mercados
Mesmo diante das dificuldades, empresas do setor buscaram alternativas para manter parte da produção. Negociações foram intensificadas com compradores do Reino Unido, da Ásia e de outros mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, entidades representativas defenderam medidas de apoio ao segmento, incluindo linhas especiais de crédito, incentivos às exportações e ações para facilitar o acesso a novos mercados.
A indústria também contou com apoio de instituições como a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Ministério da Pesca e Aquicultura e do Governo Federal, que incluiu a pesca entre os setores beneficiados por medidas voltadas à redução dos impactos da disputa comercial.
Competitividade preservada
Com a decisão dos Estados Unidos de manter atum, lagosta e outros pescados fora da nova lista de produtos sujeitos à tarifa adicional de 25%, a indústria pesqueira do Rio Grande do Norte volta a competir em condições mais favoráveis no seu principal destino de exportação.
A medida elimina um dos principais obstáculos enfrentados pelas empresas desde o início da guerra comercial e permite que parte da frota retorne gradualmente às atividades.
Recuperação será gradual
Embora o cenário tenha melhorado, representantes do setor avaliam que a recuperação ocorrerá de forma progressiva. A prioridade agora é reconquistar clientes, reativar embarcações, recuperar investimentos adiados e fortalecer a cadeia produtiva.
Outro objetivo é ampliar a presença do pescado potiguar em novos mercados internacionais, reduzindo a dependência de um único comprador e tornando o setor mais preparado para enfrentar futuras oscilações no comércio exterior.
Se as expectativas forem confirmadas, a retomada das exportações para os Estados Unidos poderá marcar o início de um novo ciclo de crescimento para a pesca oceânica do Rio Grande do Norte, beneficiando empresas, trabalhadores e toda a economia ligada à atividade pesqueira.