ATUM GUIA COMPLETO

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🎣 Condição baseada na fase da lua. A pesca também depende da maré, vento e local.

IDENTIFICAÇÃO, HABITAT, PESCA E GASTRONOMIA

O atum é um dos peixes mais impressionantes dos oceanos e um dos mais cobiçados por pescadores esportivos e profissionais em todo o mundo. Este guia reúne todas as informações essenciais sobre essa espécie magnífica, com foco especial na realidade brasileira.

1. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS

Nome Popular

Atum (de forma genérica). No Brasil, as espécies mais conhecidas recebem nomes específicos: atum-azul (ou rabilho), atum-albacora (yellowfin), albacora-branca e albacora-bandolim.

Nome Científico

O atum pertence ao gênero Thunnus, da família Scombridae (a mesma das cavalas e bonitos). As principais espécies são:

  • Atum-azul do Atlântico: Thunnus thynnus

  • Atum-albacora: Thunnus albacares

  • Albacora-branca: Thunnus alalunga

  • Albacora-bandolim: Thunnus obesus

Características Gerais

Os atuns possuem corpo alongado e fusiforme (em formato de fuso), projetado para a natação rápida. Apresentam boca grande e alongada, duas barbatanas dorsais bem separadas e ajustáveis a um sulco no dorso, e barbatana caudal bifurcada com duas quilhas de queratina no pedúnculo.

Uma das características mais fascinantes é que os atuns são peixes de sangue quente (endotérmicos), com um sistema vascular especializado que permite elevar a temperatura do corpo acima da temperatura da água. Isso os torna nadadores excepcionais, capazes de percorrer até 170 km em um único dia e migrar por oceanos inteiros. Normalmente formam cardumes compostos apenas por peixes da mesma idade.

Tamanho e Peso Médio

As dimensões variam conforme a espécie:

Espécie Comprimento Peso médio
Atum-azul 150-250 cm (pode ultrapassar 450 cm) 100-300 kg (até 680 kg)
Atum-albacora 1,2-1,8 m 20-60 kg

O atum-azul é um verdadeiro gigante: pode atingir 3,65 metros de comprimento, pesar cerca de uma tonelada e viver entre 20 e 30 anos. O recorde brasileiro de atum-albacora é de 142 kg, capturado em Cabo Frio (RJ).

Diferenças entre Machos e Fêmeas

Do ponto de vista reprodutivo, os atuns são dioicos (há indivíduos machos e fêmeas), mas não apresentam dimorfismo sexual — ou seja, machos e fêmeas são externamente idênticos, não sendo possível diferenciá-los pela aparência.

2. ONDE VIVE

Habitat

O atum é um peixe pelágico que habita a zona oceânica aberta, com um habitat que abrange cerca de 330 milhões de quilômetros cúbicos. É encontrado em regiões tropicais e subtropicais de todos os oceanos.

Profundidade

Os atuns frequentam águas com profundidades entre 50 e 500 metros, mas podem mergulhar até 900 metros em busca de alimento.

Tipos de Ambiente

  • Mar: O atum é exclusivamente marinho, vivendo em águas oceânicas abertas.

  • Rio / Lago / Represa / Mangue / Costão / Praia: Não ocorre em ambientes de água doce ou rasos como mangues e praias. É um peixe de alto-mar.

  • Áreas preferenciais: Zonas de ressurgência (encontro de correntes frias e quentes), cânions submarinos, montanhas submersas e áreas com temperatura entre 10°C e 24°C.

Distribuição no Brasil

No Brasil, o atum é encontrado principalmente no litoral das regiões Sul e Sudeste durante os meses mais frios, quando migra em busca de alimento. O atum-albacora também aparece no Nordeste.

Principais estados e regiões:

  • Santa Catarina (Norte Catarinense): Maio a agosto, atum-azul de 100-250 kg

  • Rio Grande do Sul (Litoral Norte Gaúcho): Junho a setembro, atum-azul gigante de 150-300 kg

  • Rio de Janeiro (Região dos Lagos – Cabo Frio/Arraial do Cabo): Novembro a abril, albacoras de 30-142 kg

  • Espírito Santo (Litoral Sul Capixaba): Dezembro a março, albacoras de 25-90 kg

  • Bahia (Região de Salvador): Setembro a fevereiro, albacoras de 30-80 kg

3. ALIMENTAÇÃO

O Que Come

O atum é um predador ativo e oportunista. Sua dieta é composta principalmente por:

  • Peixes de mar aberto (cerca de 70%): sardinhas, cavalas, cavalinhas, chicharros, arenques e peixes-voadores

  • Cefalópodes (cerca de 20%): lulas e polvos

  • Crustáceos (cerca de 5%): camarões e krill

  • Peixes de fundo: pescadas e merluzas em mergulhos profundos

Iscas Naturais Preferidas

Para a pesca do atum, as iscas naturais mais eficientes são:

  • Sardinha-verdadeira: a principal isca-viva utilizada no Brasil

  • Manjuba e anchova: também empregadas como iscas vivas

  • Filés ou pedaços de peixe e moluscos

  • Lulas (inteiras ou em pedaços)

Horários de Alimentação

O atum-albacora, por exemplo, tem alimentação predominantemente diurna. Como caçador de perseguição, o atum usa explosões de velocidade para capturar cardumes em movimento.

4. MELHOR HORÁRIO PARA PESCAR

Amanhecer, Final da Tarde e Noite

A pesca do atum é mais produtiva durante o dia, especialmente nas primeiras horas da manhã e no final da tarde, quando os peixes forrageiros estão mais ativos na superfície. A pesca noturna é menos comum para essa espécie.

Influência da Temperatura

O atum prefere águas com temperatura entre 10°C e 24°C, sendo que o atum-azul busca águas mais frias. O atum-albacora, por sua vez, prefere temperaturas superficiais entre 20°C e 30°C, com o ideal entre 24°C e 28°C.

5. MELHOR ÉPOCA DO ANO

Estação

A melhor época para a pesca do atum no Brasil varia conforme a espécie e a região:

  • Atum-azul (Sul/Sudeste): inverno (maio a setembro), quando as correntes frias trazem os cardumes migratórios

  • Atum-albacora (Sudeste/Nordeste): primavera e verão (novembro a abril)

Piracema e Período de Reprodução

A piracema é o período de reprodução dos peixes, caracterizado pela migração para desova. O defeso (proibição da pesca) geralmente ocorre de novembro a fevereiro. No entanto, as regras específicas para o atum variam conforme a espécie e a região — é fundamental consultar a legislação do IBAMA antes de qualquer atividade pesqueira.

6. MELHOR FASE DA LUA

Não há um consenso absoluto sobre a melhor fase lunar para a pesca do atum, mas as seguintes orientações são comuns entre pescadores:

  • Lua Nova: Considerada uma das melhores fases, pois a ausência de luz lunar torna os peixes menos desconfiados e mais ativos em busca de alimento.

  • Lua Cheia: Também é favorável, pois a iluminação atrai algumas espécies à superfície, facilitando a pesca noturna. Muitos pescadores relatam que a lua cheia e a lua nova são os melhores períodos.

  • Lua Crescente: Período bom para a pesca.

  • Lua Minguante: Considerada a menos produtiva, com capturas em menor quantidade.

7. EQUIPAMENTOS IDEAIS

Vara

  • Varas de ação média a pesada, projetadas para suportar a força de peixes de grande porte.

  • Para big game (atum-azul): varas de 30 a 50 libras.

  • Comprimento recomendado: 1,8 m a 2,4 m para melhor controle.

Linha

  • Linha multifilamento com resistência de 20 a 30 libras, com pelo menos 120 metros de comprimento.

  • Diâmetro mínimo recomendado: 0,40 mm.

  • Para espécies maiores, recomenda-se linha de até 700 metros.

Molinete ou Carretilha

  • Molinete ou carretilha de tamanho médio a grande (2000 a 4000 ou superior).

  • Capacidade para armazenar pelo menos 100 metros de linha.

  • Preferencialmente fabricado em alumínio ou carbono: forte e ao mesmo tempo leve.

Leader

Recomenda-se o uso de leader de aço ou fluorcarbono de alta resistência para evitar que o peixe corte a linha com os dentes ou durante a briga.

Anzol

  • Números: entre 3/0 e 8/0.

  • Modelo: anzóis de haste longa e circular são recomendados para facilitar a fisgada e a soltura (pesque e solte).

  • Marcas recomendadas: Mustad, VMC, Owner, Gamakatsu (líderes no mercado de equipamentos para pesca oceânica).

8. ISCAS NATURAIS

Isca Indicação Observação
Sardinha-verdadeira Excelente Principal isca-viva utilizada no Brasil
Manjuba Muito boa Isca viva de fácil obtenção
Anchova Muito boa Isca viva alternativa
Lula Excelente Inteira ou em pedaços
Camarão Boa Utilizado quando disponível
Filés de peixe Boa Sardinha, cavala, etc.

9. ISCAS ARTIFICIAIS

Tipo Descrição Indicação
Spinner Isca com lâminas giratórias Evita enroscos em estruturas
Jig Isca metálica pesada para pesca vertical Técnica de jigging
Colher (Spoon) Isca metálica com movimento oscilante Corrico e arremesso
Soft Plastic Iscas de silicone com ação realista Diversas técnicas
Plug Isca rígida com bico mergulhador Corrico de superfície a profundidade média
Popper Isca de superfície com cavidade Ataca peixes na superfície
Skirts / Daisy Chains Iscas com saias de plástico Corrico de superfície (trolling)

10. TÉCNICAS DE PESCA

Corrico (Trolling)

Técnica mais tradicional para a pesca do atum. Consiste em arrastar iscas artificiais ou naturais atrás da embarcação em movimento (6-8 nós). Ideal para alto-mar, sobre montes submarinos e seguindo cardumes de pássaros que indicam a presença de peixes.

Jigging (Pesca Vertical)

Técnica que consiste em fundear a embarcação sobre o pesqueiro e movimentar a isca (jig) verticalmente na coluna d’água. Pode ser slow jigging (movimentos lentos) ou speed jigging (movimentos rápidos).

Pesca de Fundo

Consiste em colocar o isco próximo ao fundo com o auxílio de chumbadas, aguardando que os peixes encontrem a isca.

Pesca com Boia

Técnica que utiliza uma boia como indicador de fisgada, mantendo a isca em profundidade controlada.

Fly Fishing

Técnica com mosca artificial, mais desafiadora e menos comum para atuns, mas possível em situações específicas.

Arremesso (Casting)

Arremesso de iscas artificiais a partir da embarcação ou da costa (em situações específicas).

11. COMO FISGAR, BRIGAR E MANUSEAR

Como Fisgar Corretamente

Ao sentir a fisgada, execute um ferrão firme e rápido com a vara, levantando a ponta para cravar o anzol. Para anzóis circulares, basta manter a linha tensionada — o próprio formato do anzol faz a fisgada.

Como Brigar com o Peixe

  • Mantenha a linha sempre tensionada, mas sem excesso para não arrebentar.

  • Deixe o peixe correr nos primeiros momentos, usando o arrasto do molinete/carretilha para cansá-lo.

  • Varie a pressão: quando o peixe parar, recolha linha; quando correr, deixe-o gastar energia.

  • Brigas com atuns podem durar horas — tenha paciência e prepare-se fisicamente.

Como Tirar da Água

  • Utilize uma rede de desembarque adequada ao porte do peixe.

  • Para exemplares muito grandes, use talabarte (gancho de desembarque) com cuidado.

  • Evite levantar o peixe apenas pela linha ou pelo anzol.

12. CUIDADOS AO MANUSEAR

Espinhos e Dentes

O atum não possui espinhos venenosos, mas sua boca é armada com dentes afiados que podem causar ferimentos. Tenha cuidado ao manusear a região da boca.

Ferrões

Diferente de outros peixes como bagres, o atum não possui ferrões venenosos.

Muco

O atum possui uma camada de muco protetora na pele. Ao manusear, molhe as mãos para não remover essa proteção, especialmente se for praticar pesque e solte.

Recomendações Gerais

  • Utilize luvas de proteção para manusear o peixe.

  • Segure o peixe pela cauda (pedúnculo caudal) e pela região próxima à cabeça, evitando a boca.

  • Para devolução (pesque e solte), mantenha o peixe na água o máximo possível e minimize o tempo de manuseio.

13. LEGISLAÇÃO

Tamanho Mínimo

O tamanho mínimo de captura varia conforme a espécie. Para o atum-rabilho (Thunnus thynnus), o tamanho mínimo é de 30 kg. Para o atum-albacora (bigeye tuna), o tamanho mínimo é de 115 cm para a pesca lúdicaSempre consulte a legislação atualizada do IBAMA.

Defeso

O defeso é o período de proibição da pesca para proteger a reprodução das espécies. Para muitas espécies, o defeso ocorre entre novembro e fevereiro. O atum também pode estar sujeito a períodos de defeso.

Cota de Captura

O Brasil estabelece limites de captura para espécies de atum com base nas recomendações da Comissão Internacional para a Conservação dos Atuns do Atlântico (ICCAT). A Portaria Interministerial MPA/MMA nº 24/2025 definiu cotas para albacora-branca, albacora-bandolim, espadarte e tubarão-azul.

Pesque e Solte

A prática do pesque e solte é fortemente recomendada para a preservação das espécies, especialmente para o atum-azul, que está ameaçado de extinção. O atum-azul do Atlântico e do Pacífico estão na lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

14. VALOR GASTRONÔMICO

Sabor

O atum tem sabor marcante, carne suculenta e textura firme. É um peixe gordo (rico em gorduras) e de grande valor comercial. A carne do atum-azul, especialmente a barriga (toro), é considerada a mais apreciada para sushi e sashimi no mundo.

Quantidade de Espinhos

O atum é um peixe com poucos espinhos, o que o torna muito versátil na culinária. A maior parte da carne é composta por filés e postas livres de espinhas.

Valor Nutricional

O atum é rico em proteínas e ômega 3, sendo um alimento altamente nutritivo.

15. MELHORES RECEITAS

1. Sashimi de Atum

O atum cru é uma das preparações mais clássicas da culinária japonesa. Para segurança, o peixe deve ser congelado adequadamente para eliminar parasitas antes do consumo.

2. Tataki de Atum

O atum é rapidamente selado em frigideira bem quente por poucos segundos de cada lado, mantendo o centro cru. Temperado com sal, pimenta e gergelim.

3. Atum Grelhado

Postas de atum grelhadas em frigideira antiaderente com azeite, sal e pimenta. O ponto ideal é quando a lateral do peixe está cozida até a metade da altura.

4. Atum em Conserva

O atum fresco pode ser cozido suavemente e conservado em azeite com ervas aromáticas.

5. Saladas e Patês

O atum em lata ou fresco desfiado é amplamente utilizado em saladas, patês e sanduíches.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O atum é um peixe fascinante que representa um dos maiores desafios da pesca esportiva e uma das iguarias mais valorizadas da gastronomia mundial. No Brasil, sua pesca requer conhecimento técnico, equipamentos adequados e, acima de tudo, respeito à legislação e à sustentabilidade das espécies. A prática do pesque e solte e o cumprimento das cotas e períodos de defeso são fundamentais para garantir que as futuras gerações também possam apreciar esse magnífico predador dos oceanos.

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