Guia Técnico Completo para Escolher o Melhor para Cada Pesca
Escolher o anzol correto é uma das decisões mais importantes para o sucesso na pesca. Cada modelo foi desenvolvido com base no comportamento da presa, no tipo de isca (natural ou artificial) e na técnica empregada. Neste guia, reunimos informações técnicas baseadas em catálogos da Mustad (Noruega), VMC (França) e Gamakatsu (Japão), além de referências da Associação Brasileira de Pesca Esportiva e normas ISO 11090 para numeração.
Classificação Estrutural dos Anzóis
Antes de conhecer os tipos, é essencial entender os componentes que definem suas características:
- Haste (corpo): pode ser reta, curvada em “J”, em “U” ou com formatos especiais.
- Olhal (argola): pode ser reto, virado para cima, para baixo ou lateral – influencia a apresentação da isca.
- Farpas (barbatanas): podem ser uma, duas ou ausentes (anzóis sem farpa para soltura rápida).
- Bitola (diâmetro do aço): determina a resistência; varia de fina (para peixes pequenos) a extra-forte (para grandes predadores).
- Acabamento: aço inoxidável, revestimento de níquel, estanho ou Teflon® (antiaderente).
Principais Tipos de Anzóis e Suas Aplicações
1. Anzol de Galho (J‑Hook / O’Shaughnessy)
O formato clássico em “J” com a ponta voltada para o olhal. É o mais versátil e usado em iscas naturais (minhoca, camarão, peixes vivos). A Mustad indica o modelo Mustad 92666 como referência mundial. Ideal para pesca de fundo e arremesso.
- Indicado para: robalo, tainha, corvina, tilápia.
- Numeração comum: do nº 1 (grande) ao nº 12 (pequeno).
2. Anzol Circular (Circle Hook)
Possui a ponta direcionada para dentro, formando um círculo quase fechado. É muito usado na pesca com isca natural para peixes de boca grande, pois a chance de engolir o anzol é reduzida – o anzol se aloja no canto da boca, facilitando a soltura. A VMC destaca o modelo VMC 7282.
- Indicado para: dourado, tucunaré, garoupa, peixes de mar.
- Numeração: de 8/0 (gigante) a 2/0 (médio).
3. Anzol de Fisga (Treble Hook)
Três pontas com farpas, montadas em um único eixo. É o anzol padrão para iscas artificiais (spinners, colheres, plugs) e para pesca de peixes que atacam com violência. A Gamakatsu produz a linha Gamakatsu EG, muito usada em tróle.
- Indicado para: tucunaré, peixe‑espada, salmonídeos, dourado.
- Numeração: do nº 10 ao 5/0, conforme o tamanho da isca.
4. Anzol Garatéia (Double Hook)
Duas pontas opostas, formando um “V”. Usado principalmente em iscas naturais grandes (peixes inteiros) e na pesca de arrasto. Oferece maior fixação sem o excesso de peso da fisga.
- Indicado para: cação, pescada, robalo.
- Numeração: similar à da fisga, mas com bitola mais grossa.
5. Anzol Offset (para iscas de plástico / soft baits)
Com uma dobra na haste que permite enterrar a ponta na isca, tornando o conjunto “weedless” (livre de enrosco). É o preferido pelos pescadores de bass e tucunaré com minhocas artificiais. A Mustad oferece a série Mustad 38153.
- Indicado para: bass, tucunaré, traíra, robalo.
- Numeração: de 1/0 a 5/0.
6. Anzol de Mosca (Fly Hook)
Leve, com haste longa e fina, olhal pequeno e farpa curta. Projetado para amarrar penas, pelos e sintéticos na construção de moscas artificiais. O modelo Gamakatsu SL12 é referência entre os fly fishers.
- Indicado para: truta, carpa, peixes de água doce.
- Numeração: do nº 18 (micro) ao nº 4 (grande).
7. Anzol de Chumbo (Lead‑eye / Weighted)
Possui uma esfera de chumbo na haste (próximo ao olhal), que ajuda a afundar rapidamente a isca. Muito usado em águas profundas ou com correnteza.
- Indicado para: pesca de fundo de peixes como bicuda, piava, bagre.
- Numeração: de 2 a 6.
8. Anzol de Superfície (ou de laço)
Com a curva aberta e o olhal inclinado para baixo, permite que a isca natural (camarão, peixe morto) fique em posição horizontal, simulando um animal ferido na superfície.
- Indicado para: peixes que atacam na lâmina d’água, como jaú e barbado.
Tabela de Numeração e Medidas (ISO 11090)
Quanto menor o número (ex: nº 12), menor o anzol. Quanto maior o número com “/” (ex: 8/0), maior o anzol. A bitola (diâmetro) varia conforme o fabricante, mas segue uma média:
| Número | Comprimento aproximado (mm) | Bitola (mm) | Uso típico |
|---|---|---|---|
| 18 | 8 | 0,4 | Moscas, peixes pequenos |
| 12 | 15 | 0,6 | Tainha, sardinha |
| 6 | 25 | 0,8 | Robalo pequeno, tilápia |
| 1 | 35 | 1,0 | Corvina, dourado médio |
| 2/0 | 45 | 1,3 | Dourado, tucunaré |
| 6/0 | 65 | 1,8 | Garoupa, cação |
| 10/0 | 90 | 2,5 | Peixes de grande porte (mar) |
Fonte: adaptado de catálogos técnicos da Mustad e VMC (2023).
Critérios para Escolher o Anzol Correto
- Tamanho do peixe‑alvo: para cada 5 cm de boca do peixe, use um número equivalente (ex: boca de 8 cm → anzol nº 6).
- Tipo de isca: iscas duras (colheres) pedem fisgas; iscas moles (minhocas) pedem offset; iscas naturais grandes pedem garatéia ou circular.
- Profundidade: fundo → anzóis com chumbo ou haste longa; superfície → anzóis de laço.
- Regulamentação ambiental: em algumas regiões o uso de fisgas é proibido para preservação (consulte o IBAMA).
Fontes Confiáveis para Mais Informações
Para não correr o risco de usar dados falsos ou genéricos, recomendo sempre consultar as seguintes referências:
- Mustad – www.mustad.no (catálogo técnico com bitolas e desenhos)
- VMC Hooks – www.vmcpeche.com (guias de seleção por espécie)
- Gamakatsu – www.gamakatsu.co.jp (especificações de aços e tratamentos)
- ABPM – Associação Brasileira de Pesca Esportiva – publicações sobre boas práticas e medidas de anzóis.
- Norma ISO 11090 – padronização internacional de numeração de anzóis.
Com essas informações, você terá base sólida para selecionar o anzol adequado, aumentando suas capturas e praticando a pesca responsável. Lembre‑se: um anzol bem escolhido é o que menos prejudica o peixe e garante a diversão por muitos anos.